Uma Puta Lua

A Lua desnuda passeia,
Puta da noite oferecendo-se
a olhos libidinosos
em afã de “voyeur”.
Despista
Em encobre-encobre
Embaçando-se
Em auréola de lua grande
Empresta claridade às nuvens
Desmistifica-se
Colorindo sombras azuladas
Leia mais

Abdicação

Rebelde indomada, mordo a vida aos pedaços
Os dentes rangem sôfregos de carne e sangue
Apertados com ânsia tamanha roendo por dentro
Viro e reviro a cabeça tal qual cadela em coleira de diamantes
Cristalina e pesada
Narinas dilatadas, peito rasgado aberto ao céu
Leia mais

Eternidade e Erro – dois poemas

Nossa história será para sempre
a daqueles livros
com o último capitulo
em aberto

Erro

Construíste minha vida
em alicerces de vento
presos ao solo infértil do teu amor
À minha volta
o abraço transborda vazio
e há mãos que seguram o nada
numa dança desesperada
por te re-encontrar

Abra as Janelas

Abra as janelas
A menina passa
Num vestido branco,
Leve, transparente
Inocente ar
Descalça, pulando amarela
Cabelos compridos,soltos
Vento a balançar
Sorrindo, gargalhando
A menina está cantando
Abra as janelas
A menina está passando.

Palavras

Pouco valem as palavras
quando dormem em poemas;
certamente quando escrevo
flor, pássaro, mar, amor
estarei fora do mundo
e assim essas palavras
que em poesia me entorpecem
não me convencem na vida:
não têm valor facial,
não são paracetamol
Leia mais

Poemas de Rita Sá

I – A Morte do Sorriso
Que havia sido
O sorriso
[o meu]
Que te prendera
E agora
Que já não sei mais
Como re-sorrir
Perco-te
Num rosto fechado
[endoidecido]
Sobre o nada

II – Aquarela
Pôr do Sol
Pôr de mim
Fim de tarde
[Meu]
Em ti

III – Veia
Rio
Corrente
Queima
Leia mais

Asas Abertas

As lágrimas escorrem.
E o vento já deixou de soprar.
Por quanto tempo os sonhos perduram?
Procuro respostas mas elas não adiantam!
– “Faça outras perguntas!”. Alguém me diz.
Ligeiro desconforto permite certas recordações.
E o que era inaceitável, Leia mais

Cacos de Amor Platônico

Teu olhar, que beijo,
em pétalas se desfaz.
Bem-me-quer, tu queres,
mal-me-queres, tanto faz.
Minto! Desejo-te loucamente
ainda agora, quem me dera fosse antes!
Dos teus sonhos aos teus beijos,
quero-te, louca amante!
Temo ousar a morte, amor,
sem Leia mais