A Lua desnuda passeia,
Puta da noite oferecendo-se
a olhos libidinosos
em afã de “voyeur”.
Despista
Em encobre-encobre
Embaçando-se
Em auréola de lua grande
Empresta claridade às nuvens
Desmistifica-se
Colorindo sombras azuladas
Abdicação
Rebelde indomada, mordo a vida aos pedaços
Os dentes rangem sôfregos de carne e sangue
Apertados com ânsia tamanha roendo por dentro
Viro e reviro a cabeça tal qual cadela em coleira de diamantes
Cristalina e pesada
Narinas dilatadas, peito rasgado aberto ao céu
Eternidade e Erro – dois poemas
Nossa história será para sempre
a daqueles livros
com o último capitulo
em aberto
Erro
Construíste minha vida
em alicerces de vento
presos ao solo infértil do teu amor
À minha volta
o abraço transborda vazio
e há mãos que seguram o nada
numa dança desesperada
por te re-encontrar
As Formigas da Minha Cidade e Outros Poemas
Formigas atarantadas
batem cabeça nas esquinas da minha cidade.
Correm para o trabalho
enquanto o sol ensaia um amanhecer tardio.
Carregam pesos imensos,
responsabilidades imensas
com o vento gelado de uma manhã de julho.
Formigas sérias,
grávidas
Abra as Janelas
Abra as janelas
A menina passa
Num vestido branco,
Leve, transparente
Inocente ar
Descalça, pulando amarela
Cabelos compridos,soltos
Vento a balançar
Sorrindo, gargalhando
A menina está cantando
Abra as janelas
A menina está passando.
Violência Global
Um olhar fatal.
Queimando
a minha íris.
Arrebentando
a minha córnea.
Estuprando
a menina dos olhos.
Palavras
Pouco valem as palavras
quando dormem em poemas;
certamente quando escrevo
flor, pássaro, mar, amor
estarei fora do mundo
e assim essas palavras
que em poesia me entorpecem
não me convencem na vida:
não têm valor facial,
não são paracetamol
Poemas de Rita Sá
I – A Morte do Sorriso
Que havia sido
O sorriso
[o meu]
Que te prendera
E agora
Que já não sei mais
Como re-sorrir
Perco-te
Num rosto fechado
[endoidecido]
Sobre o nada
II – Aquarela
Pôr do Sol
Pôr de mim
Fim de tarde
[Meu]
Em ti
III – Veia
Rio
Corrente
Queima
Asas Abertas
As lágrimas escorrem.
E o vento já deixou de soprar.
Por quanto tempo os sonhos perduram?
Procuro respostas mas elas não adiantam!
– “Faça outras perguntas!”. Alguém me diz.
Ligeiro desconforto permite certas recordações.
E o que era inaceitável,
Cacos de Amor Platônico
Teu olhar, que beijo,
em pétalas se desfaz.
Bem-me-quer, tu queres,
mal-me-queres, tanto faz.
Minto! Desejo-te loucamente
ainda agora, quem me dera fosse antes!
Dos teus sonhos aos teus beijos,
quero-te, louca amante!
Temo ousar a morte, amor,
sem
