Retorno

como lacaios do destino
vestidos a rigor
teus sonhos
pouco a pouco
vão ficando na margem do ribeiro
por onde a sombra escorre
para quê teimar?
recordar demais
é dar em louco
melhor é não viver
do que sofrer assim
de corpo inteiro..
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Uma Caverna

A meu pai
E a luz se fez
aos gritos
Feito cachoeira em seu dorso negro.
De abismo e plenitude
se formou a sombra do tempo.
Haverá voz
em seu corredor espesso?
Talvez os mortos aqui residam
inertes, silenciosos… Ou não?
Ouço
seus Leia mais

Pessoa

O poeta desta dor
é um homem [ser divino]
um nobre meio
franzino
Uma fartura de gente
[em uma pessoa só]
Estátua
deus masculino
se negou muito ao amor
e soube fingir a dor
[muito melhor
do que Jó]
Traduziu mil sentimentos
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La Sangre en la Puerta

Sangre derramada en la espesura del camino
Romance maldito en las manos ensangrentadas
Cripta profana en el lago de lujuria
Caldero de Hades sin fin de azufre
Caronte guía del mezquino pecado
en entradas de dolor, y arrepentimiento
Azael soñador al ángel de venganza
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Canto das Sereias

Canto das Sereias
na noite de sexta
um decote
desafia o recato
afrouxando o nó da gravata
ulisses
amarrado no mastro

Praça Sete

Circula tanta gente em torno
obelisco aponta o céu.
Símbolo do distante passado:
íntima união entre
terra opulenta
– fértil, doa beleza
com curvo céu
– vencedor de longitudes.
Ritual de amor
celebra natureza.

Saga do Rio I

Um
dia
sentirei
um
pouco

De sua branda
carícia

Ficarei
gravemente
rouco

De tanto gritar à
milícia.

Aspiro em saber como é

Ter seu dedicado amor

Se fico deitado ou em pé

Ou se pulo com fulgor.

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Serenata

Caem à noite pedras
sobre o templo
do silêncio
de espaço
um ruído de automóvel
um toque de sinos de uma igreja
monotonia diurna que não quebra
a queda das pedras
no silêncio
De dia o templo é
noite
e à noite há o silêncio
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Solidão de Mulher

Oh, lua! Estou parada
a contemplá-la,
sozinha no meu lar,
olhando pela janela.
Por quê, se e eu e você
fomos feitas pelo mesmo criador?
Talvez você sinta dor
de solidão como eu.
Oh, lua! Esquecida
colocada no céu,
infeliz como eu,
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Prontuário poético

I- Destino Materno
Foste condenada a rastejar pela terra…
Por isso não voarás…
Subir ou descer dos céus seria uma máxima ofensa ao Criador…
Fique na sua, víbora!…
José Luiz Dutra de Toledo – Ribeirão Preto/SP.
II- Ode ao Planet Leia mais