As lágrimas escorrem.
E o vento já deixou de soprar.
Por quanto tempo os sonhos perduram?
Procuro respostas mas elas não adiantam!
– “Faça outras perguntas!”. Alguém me diz.
Ligeiro desconforto permite certas recordações.
E o que era inaceitável, aos meus primeiros passos,
torna – se uma longa caminhada sem mapa e sem volta.
Bato, então, as asas que me deram
tentando sobrevoar algum povoado.
Qualquer um que me interesse de verdade.
Que tenha uma certa urbanidade envolvente
e ainda aquele jeitinho de cidade do interior.
Não posso mais dizer da inocência que me envolvia
ou de um compromisso com passado claro e limpo.
Espero, agora, apenas um sinal para poder pousar.
O que sou minha bela vida resume em desculpas demais.
Talvez, quem sabe, um viajante que procura um lar.
E o que posso vir à ser, sem ser lúdico, afinal?
Não tenho esperanças demais. Nem ao menos
um talismã no pescoço em que possa acreditar.
Carrego comigo nesta insuportável bagagem
dentro de minha mente, guardada no baú das memórias,
estas lindas, e irremediavelmente insistentes, asas abertas!
