1. SENDO SENSATA
Está mais que na hora
De ser sensata
Parar de brincar
Com ponta de faca
Que pode ferir
Pode machucar
E o que fere também mata
Mata por dentro
Onde desata
O sentimento
Onde desagua
O pensamento
E antes
Condição Perene
Condição Perene
nas cheias
o rio comanda
o espetáculo
e as margens
são apenas
degraus para
o leito
mais fundo
nas secas
o rio é a
margem
Disfarce na Tempestade
Chuvas, relâmpagos e trovões
Me disfarçam neste mundo inclemente
Onde a voz do coração é sufocada
Pelo ódio, do ciúme à trama urdida
Não importa tanto amor haja plantado
Ventos fortes me fustigam, doloroso
Os trovões são ameaças antecipadas
Do clarão assustador do raio tétrico
Este clima
Traço o Nosso Amor no Firmamento e outro poema
Traço o nosso amor no firmamento:
Um leve vôo no profundo sentimento.
Perdão, Deus, por desfazer teu feito,
Esboçando sobre teu retrato perfeito…
Não deliro, e não revelarei as emoções
Que senti roçando as tuas constelações
Para ser um mártir de
Amor em Si Maior
Para Violeta Parra.
Já tive muitos amores
Que não lhes posso contar
Contar assim como números
Nem a vocês confiar
Foram grandes, muitos pequenos
De amar, de dormir, de sonhar
Foram tantos e tantos
Que já nem posso mostrar
Já tive muitos amores
Que não posso enumerar
Foram de tanta
Sem Limites, Só a Alma…
Será que vão tardar para inventar: o limite do olhar?
Ou de poder respirar?
Não fale alto comadre.
Paredes sempre tiveram ouvidos.
Vê se alguém ouve e manda ,
mais um projeto para nossos deputados.
O limite para respirar é de graça,
até tantos respiros.
Do Sanatório
Junto com os sopros perdidos
Da estação dos amores – o Verão. Veremos? – vão-se
As flores inertes do amor pequeno
Que vivemos.
Uma questão de hastes, as distrações de Eros,
E eis-nos agora à parte, novamente operantes
Na arte do esquecimento.
Procura
Entre os silêncios noturnos,
grito-me o teu nome
que mal vaga em vão
pelas paredes de mim;
pois tantas são as vozes,
entrecortadas, entrecruzadas,
vozes às vezes babélicas,
buzinas, apitos e roncos,
miados, latidos e urros,
todas vivendo em
Perjúrio
Jura dizer um poema,
somente um poema,
nada mais que um poema,
fulano poeta?
Jura fingir a verdade,
somente a verdade,
nada mais que a verdade,
ciclano poeta?
Jura doer de verdade,
cada personalidade,
cada identidade,
beltrano poeta?
Jura perjurar a verdade
de cada Pessoa,
onde quer que lhe
Três Poemas de Mariza Miranda
1- MEMÓRIA
Guardo imóvel, plácido ,
como água parada, opaca,
reproduzindo a imagem
de um céu sempre deserto,
cheiros que meu olfato
vai arquivando intactos.
Nostalgias que inocentes
atiçam minhas entranhas
e como profecias evocam,
incomodam
