Tusso o pigarro habitualmente na mesma hora.
(Não sei porque: se me afasto de inalantes
e não desdenho minha asma com Marlboros)
Sei é que de tão congênito virou tão afeiçoado.
Quem desconhece a afinidade
Vem logo chatear que estou doente.
Sugerem antitérmico;
Poemas de João Domingues Maia
NÃO SÃO TEUS OLHOS
O que nos teus olhos ocultas?
Algo místico, distante?
Um tempo qualquer passado
que permanece presente?
Um dia, um ser, uma sombra?
O que há nesses olhos tão teus
que me projetam um fogo,
um mistério e uma força?
Olhos
Poemas de Francisco Alves Júnior
ATREVIMENTO
É domingo. Preparo um drinque.
Tudo sem o menor requinte e sem o menor bom-senso:
Um copo de vidro – o bordo trincado.
Adiciono uísque – três ou quatro chacoalhadas,
gelo a gosto, uma fatia de laranja,
e espremo o resto da fruta copo adentro.
O Pranto
O pranto lavou teu sorriso
Seu canto amansou as trevas
E um novo dia amanheceu…
A dor doeu, mas passou
A dor doeu, mas afogou-se
No rio infinito que morre
E renasce no vasto mar…
O pranto lavou teu sorriso
Seu canto amansou as trevas…
Ave de Arribação
(aos que cantam pelo Brasil há quinhentos anos)
“…viola em noite enluarada
no sertão é como espada,
esperança de vingança…”
Viola enluarada – Marcos e Paulo Sérgio Valle
O homem que reza ou que canta à capela
traz no braço a
Três Poemas Vermelhos e Sonsos…
Terrorismo
não interessa
a vida
se não para intervir
nos lacres
e nem a tristeza
com suas patas
e bocas de batom
um atentado
um invento
sei lá…
eu tento
Cegueira
as escaramuças
invisíveis do vento
espalham
Sala de Chá
naquela sala de chá,
morna e macia
de nevoeiro espesso sempre envolta
deixei meu pensamento à solta
pelo sofá
angustiando a tarde até ao fim do dia
as folhas em branco sobre a mesa
esperavam
insistentes
a sombra da tristeza
foi quando
De Quem Não Pisa em Igreja Mas sabe que Deus Existe
Já vi a cruz pintada de várias cores
Tantos caminhos para um mesmo destino
Sangue tão puro, limpo e cristalino
Podre, regando tristezas e mortes
Ele não quer presentes nem flores
Para Ele basta o badalar dos sinos
E para povoar os campos divinos
Quer brancos
Poemas de Mára Pezzolo
I – VERBO
amadureci
amargamente
Amargureci
II- ALFABETO
desenho letras
elas se juntam apenas
eu as desenho
como o vento desenha
imagens no céu e sopra nelas
para não voltar
III- CONCERTO
Quem desenha sabe
A pena
Impasse
Enviesado, olhava o trono
e se debatia à espera
de novas oportunidades
que nunca surgiam,
pois o impreterível momento
nunca chegava;
e assim o tempo passava.
Obtuso ele era, o sabia,
e constatava, cada vez mais,
o desleixo.
Matilde o avisara
do princípio do fim;
nunca a ouvira,
porque agora?
E, ainda
