O Corte

Segurar o lábio com os dedos.
A carne mole,
os dedos alicate,
a lembrança e a dor.
O gosto amargo do sofrer,
a alegria falsa do sorriso fingido.
O nariz treme,
ao cheirar o ar do aperto.
Uma gota de sangue escorre pelo queixo,
peito,
pernas
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Palavras Vazias

Não tenho nada a dizer
perdoem-me
não posso falar o que não sei,
o que aprendi a aprender
e desaprendi sem compreender.
Não me perguntem quem sou,
cansei de olhar o meu retrato
guarnecido de incertezas,
os olhos perdidos entre as sombras do rosto
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Saudades

Saudades de tudo que tive,
De tudo que um dia vivi,
Que agora só resta lembranças,
Que guardo dentro de mim.

Lembrança do tempo de infância,
Que trago no meu coração,
Sonhava e brincava com um mundo,
Que era feito de ilusão.

Fui crescendo e aprendendo,
Sem muito poder entender,
Que Leia mais

Poço

abriu-se em mim
qual abismo
[precipício
um poço
de boca enorme
no fundo
um balde velho
rios de corda
que descem no escuro
até um fim
obscuro
onde está preso
o vazio
da tua ausência

Poemas “conversantes”

Os poemas abaixo “conversam”entre si porque os dois autores , na noite de 3/2/2000, através da Lista de Discussão do Letras e Cia, aproveitaram os motes um do outro e escreveram os poemas abaixo :
1. TOCATA E FUGA – Luiz Fafau
De todos os meus órgãos
o que mais Leia mais

Entendimento

“Por que estás assim,
de repente muda, arredia
como se estivestes transgredindo nas palavras?
A recuar assustada
de horizontes que não ultrapassastes.
Como quem com medo de ferir
quem não conhece a alquimia de tuas vozes
e todos os perigos das suas Leia mais

Pássaro Negro

Hás que chegar de mansinho
E leve, devagarinho
Tocar tua mão na minha.
Hás que olhar em meus olhos
E lá dentro, no vão
Sentir o tremor que percorre
Os meus lábios
A minha solidão.
E hás, finalmente
Que ouvir os gemidos
O meu grito
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No Meu País

Violência…
Distúrbios mentais e físicos.
Corre, lá vem a polícia.
Tem vandalísmo…
Dentro e fora da polícia.
Tem violência,
dentro e fora das ruas.
Tem um pouco de abuso,
dentro e fora de tudo.
Os oportunistas, ladrões.
Acomodados Leia mais

Sem Meias Palavras e outros poetrix

SEM MEIAS PALAVRAS

com jeito sexy

engoles-me confisco

sem meias palavras.

TESÃO ARRETADO

deixo-me levar

por tua presença

sob lençóis, gozo teu imaginário.

MAIS Q’ALÉM

sonho ainda

possuir-te

mesmo que em sonho.

ILIMITE
sussurra-me aos ouvidos teu nome

erguendo-me a natureza em fome

ventos descontroladamente Leia mais

Poeta de Merda

Poeta de merda!
Poeta da porra,
como diria meu avô,
se ainda nos víssemos.
Tão de merda e
tão da porra,
que preguiçosamente desdenho figurar no papel
a tecitura dos meus poemas mentais.
Se os tivesse escrito…
Nada a fazer.
Foram-se Leia mais