Amo seu corpo molhado
Salgado,
Gosto do seu mar
Navego no seu doce balanço
desejo apenas ancorar
no porto seguro do seu olhar
Alguns Versos
Ao final a vida a morte celebra
Na floresta já dita esquecida
Jogados em becos muito escuro
Largados frios em valas na terra
Sonhando o céu como abrigo
Deixar a vida como herança
Maldita esta que com dor torturam
Peitos que inúteis segredos guardam
Ponto
Do início ao fim, uma reta.
Em zig-zag caminha-se,
sem fronteiras laterais.
Encontra-se a felicidade
no ponto inicial,
no ponto de intersecção,
e ponto final.
Mulher I
Mulher I
suave brisa
no alto da montanha
ao entardecer.
Mulher II
semente de marés
acariciando devagar
a lua cheia.
Mulher III
murmúrio d’águas
e pássaros
ao amanhecer.
Feiticeira
Sedutora e feiticeira
no jeito de cruzar as pernas
de uma certa maneira.
Chorei
Chorei
pensei ver estrelas
pensei em tê-las
quis ser só seu
e prometi amor
neste mesmo céu
pensei sonhar
sonhos que vem do ar
ter idéias de sonhador
quis vê-la sorrir
e lhe dar uma flor
no entanto
chorei este pranto
chorei de dor
Natal
Se o natal nos parece bem ou mal,
afinal,
depende de tantas coisas:
Na criança,
a esperança,
a ansiedade…
No adulto a nostalgia,
no idoso uma saudade.
São filtros da nossalma
que mudam a cada dia,
na maneira que se ama,
ou
Passageiro do Vento
Sou passageiro do vento
que me leva aonde quer,
mostra-me coisas novas e antigas,
vividas e não vividas,
e até aquelas que eu julgava
imersas no túmulo do esquecimento.
Tal é sua liberdade
que lanço uma âncora
à segurança da terra
quando
Sonhos de Sonhos
Passo a passo,
passam os passos
de sonhos bem sonhados
em múltiplas sinergias.
Alma com sol e lua,
estrelas incontadas,
terra e céu,
saudades.
Aqui encanta o canto
com mil matizes.
A sensibilidade vive e vibra
por luminosas dimensões.
Delírio – Shenia
Quero sair de mim
Fugir
Não ser
Existir
Descartes não tem a solução
Penso e não existo
Quero existir
Não pensar
Tô amarga
E doce demais
Não sou Camões
Mas sou sim e não
Queria ser poeta
Ou profeta
Melhor
No WC
o ato de diferir o homem
um do outro
termina no WC
onde o poder do nada
nos apodera
com os papeis pedaços de vida
em nossas mãos
limpando os restos de contingência
que se perdem
no vaso da mediocridade.
