Olhando a paisagem, um caminho, e não podendo ver onde está o final…só a origem…posso te contar o que tem depois da primeira curva e também como pular pedras, ou desviar delas… porque sou água…que escorre por entre os dedos quando se quer segurar.
Que às vezes é um pequeno fio que corre pela trilha, que forma e transforma seu próprio caminho…encontrando uma pedra, desvia, segue adiante.
Que às vezes encontra um buraco e fica empoçada…mas não por muito tempo, pois corrente contínua, enche a fenda e transborda, buscando novamente seu destino…
Que em outras ocasiões acumula tanta força e com tamanha intensidade, que é capaz de derrubar uma montanha.
Que corre suave, tranqüilamente…como corrente que vai para o mar… calma, límpida, cristalina…
Que viaja em passo acelerado, como quem tem pressa… unindo-se a outras forças que como ela tem vontade de chegar lá, e encontrando diante de si um abismo, se transforma em cachoeira, não desiste, resiste em espuma flutuante…
Pode esfriar tanto, tornar-se sólida e com grande resistência… gelo, gelada, frígida e intransponível… mas branca, brilhante qual cristal flamejante ao sol… alvura que cega… inerte, sem movimento, mas subitamente, ao se expor à luz…escorregadia se torna… move-se por vezes inesperadamente, numa avalanche que leva tudo que encontra pela frente, frondosas árvores… morro abaixo…
Que pode aquecer, e aquecida evapora….faz chover…em grandes quantidades, pesada e sem sentimentos… tempestades…
Que pode vir de leve, como chuva fina e intermitente, ou grossa, sem jeito, desengonçada, mas gostosa como nos dias de verão, rápida e refrescante…… fria ou quente…
Que pode refrescar seu corpo quando tiver calor, um banho quente nos dias de inverno…
Sendo assim, leve, transparente e poderosa, pode matar sua sede, pode alimentar seu corpo, saciar seus desejos…
De fácil miscigenação, aceita componentes atômicos de diversas origens…mas só há uma combinação perfeita, sem resíduos após a decantação… se a outra parte for água também, pura e cristalina como ela.
