A Menina Vesga e a Caixa de Lápis-de-cor

Era uma vez… porque histórias que começam com era uma vez são lindas demais… Era uma vez uma menina muito pobre, meio feinha e vesga, que gostava de estudar e pintar.

O nome dela era Josefina e os meninos, quando ela passava vestidinha com seu uniforme bem passadinho, gritavam em coro:
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O Suicida

Rua de terra vermelha, bairro já abeirando a roça. Fim de mundo. Dia de chuva o povo descia a rua de sapatos na mão, esmagando barro, para calçá-los longe, no chegar da praça da igreja de Santa Terezinha, onde principiava o calçamento de pedra. Quanto mais se alongasse na rua, subindo, pioravam Leia mais

Si

Parecia aquelas histórias típicas de pré-romances adolescentes.
Todo dia, uma mesma mensagem começou a chegar no meu correio eletrônico: “quero te conhecer de qualquer maneira. Sua, Si”.
Não deletava as mensagens, mas ignorava porque só podia ser brincadeira. Ou obssessão Leia mais

Brasileiro Ser

Não tenho medalhas
nem tenho galardões
Carrego minha carcaça
gasta da minha ignorância
Minguado no esgoto,
apontado na ponte,
dorminhoco das vias
Viaduto de ocas,
assaltante de mim
Trapaceiro de sonhos
cego verde-amerelo
de azul Leia mais

Chove

Chove muito,
Enquanto me habitas.
Percorres meu ser
dono e senhor de mim.
Encontro a vida,
no gosto da tua saliva.
Estremeço;
chama vermelha de vela,
dançarina.
Nas mãos espalmadas
deixo a noite me encontrar;
Chove muito,
Enquanto Leia mais

Os Italianos e os Livros

Na grande sala de jantar havia um pequeno móvel sobre o qual ficava o grande rádio de válvulas havia uma prateleira onde sempre havia livros. Em uma estante aberta, de madeira preta torneada, que ficava no “quarto de Santo” estavam as coleções. A principal delas era a Saraiva, do Leia mais

Poemas de Bruno Kampel

DESPRESENTANDO-ME
Acusam-me de ser Bruno Kampel, e não se enganam. Pensam que sou isto ou aquilo, e sim o fazem. Em resumidas contas, sou, o que já é bastante. Descartável, como as melhores idéias. E durmo nu, como os piores pesadelos.
Isso sim: escrevo pensando no bem que escrevo. Leia mais

Flagelação

Dançando ao chão o desfile triste
Contas do fio tênue desistem.
Voltas ao coração ornavam
Quem os de perto nunca amaram.
Rendo-me por fé à triste lógica
Que aspira não sei qual vitória!

Por tanta dor que já não valia
A abandonada pedraria
insiste em perguntar sabendo
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Já…

É hora de pensar,
Raciocinar cantando
Enre luzes, mídias e anjos
O concreto de um novo dia.
É hora de amar
Mais que ontem
Se dar, doando
O máximo de um coração
A luz extirpando a escuridão.
É hora de crer,
Porque, poderá
Não Leia mais

Aqui o Buraco é Mais Embaixo

Zeca da Luzia vivia pra baixo e pra cima medindo rua. Fugia do trabalho igual diabo da cruz. Andava de cacete às costas, procurando quem inventou o serviço, para matá-lo. Vivia do dinheirinho que a mãe ganhava lavando roupa pra quase todo mundo remediado de Tabuí. Zeca usava umas roupinhas surradas, Leia mais