O pranto lavou teu sorriso
Seu canto amansou as trevas
E um novo dia amanheceu…
A dor doeu, mas passou
A dor doeu, mas afogou-se
No rio infinito que morre
E renasce no vasto mar…
O pranto lavou teu sorriso
Seu canto amansou as trevas…
O Orvalho da Alfazema
Chica era mulher.
Perdoem-me o aparente pleonasmo, e logo na primeira linha a comprometer o estilo, mas ainda guardo a estranheza de encontrar sentido diferencial na junção de dois elementos que a princípio denotam um outro, redundante. O afirmar que o ser humano do sexo feminino, chamado
O Ciclista
Um dia, quando resolveu olhar pela janela de seu quarto, viu passando um ciclista vestido de vermelho. Voltou para dentro e ficou imaginando quem seria aquele homem e o que estava fazendo naquela estrada onde nunca passava ninguém, e que não levava a nenhum lugar, pelo menos era isso que ela achava.
Pra Não Dizer Que Não Passei Cerol na Mão
Depois de ler notícias a respeito do baile funk e da dança das cadeiras, fiquei pasmo. Quer dizer que as mulheres vão ao baile sem calcinha, brincam de sentar no colo de quem está nas cadeiras quando a música pára e ainda engravidam? Dizem, os que trabalham em postos de saúde, que os casos
Uma Estranha Serenata
Luizão e Susana se casaram e pretendem convencer todo mundo a se casar também. Não é por outro motivo que fazem serenatas por encomenda na cidade onde moram, no interior do Paraná. Mesmo os já casados podem contar com eles para presentear suas caras-metades com essa antiga tradição, hoje em
Ave de Arribação
(aos que cantam pelo Brasil há quinhentos anos)
“…viola em noite enluarada
no sertão é como espada,
esperança de vingança…”
Viola enluarada – Marcos e Paulo Sérgio Valle
O homem que reza ou que canta à capela
traz no braço a
Três Poemas Vermelhos e Sonsos…
Terrorismo
não interessa
a vida
se não para intervir
nos lacres
e nem a tristeza
com suas patas
e bocas de batom
um atentado
um invento
sei lá…
eu tento
Cegueira
as escaramuças
invisíveis do vento
espalham
Reencontro
Aconteceu de repente, como um raio riscando o céu cinzento, atingindo em cheio um pé de pequizeiro em pleno cerrado e produzindo chamas que nem a mais forte tempestade conseguiria apagar.
Não houve tempo para pensar. Uma energia os envolveu completamente, largaram as taças embaixo do sofá
Vai Para Thimbur
Thimbur. A foto do mar verde verde, coqueiros balançando ao vento na frente de cadeiras de praia branquíssimas sob guarda-sóis altivos, guardando no alto as estrelas do hotel…Thimbur…o folder mostra uma praia do Nordeste, mas aquilo era África…por quê África se praia é igual
Ritual
É um dia qualquer de dezembro, pouca coisa a fazer na semana que se arrasta, sonolenta e rotineira. Olhos que voam longe através das grades da janela, muito além do céu azul sem nuvens e da mata que se espraia na colina logo à frente – atrás dela fica o aeroporto, por isso a impressão
