Três Pequenos Contos para um Amor tão Grande

I.
Ele tinha um jeito doce de dizer: nunca, nunca que isso acaba entre nós…
Ela ouvia e, sabendo que era verdade, dava-lhe beijos estalados, dizendo um não-me-deixes tão sentido que a imaginação dele criava asas e , juntos, criavam um tempo que talvez nem existisse no futuro.
Mas que nem mentira era porque tudo é sempre possível.
II.
Ela se queixava, às vezes chorando: Pois quando você vai embora, meu amor, leva de mim metade. Fico manca de uma perna, um braço meu que se foi…
Ele, que nunca chorava por fora, chorava por dentro porque sabia também que, quando partia, deixava com ela sua outra metade… pra que se unisse à outra metade dela. E para compensar, levava a outra metade dela, a fim de que se unisse à outra metade sua. Pra poder viver…
Andróginos…
III.
Por estarem tanto tempo afastados, na primeira vez que se viram falavam palavras doidas: ah, que saudade! ah, que eu quase morri de saudades! E ela chorou-rindo e tapando os olhos…
Mas um anjo, desses gauches, passava ali e ouviu aqueles quebrantos.
Deu meia volta, parou coçando a cabeça e sem bem saber o que fazia prometeu pra si mesmo que, a partir de então e para sempre, cuidaria do destino dos dois.
Ainda está pensando.
Porém, já sabe o melhor caminho.
Por enquanto nada pode fazer, pensa o anjo.
Mas fará.