No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá, Onde a criança diz:
eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não
Funciona para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.
E pois.
Em poesia que é voz de poeta,
que é a voz
De fazer nascimentos -
O verbo tem que pegar delírio.

(Manoel de Barros)

A poesia é um dos principais instrumentos revolucionários, porque só ela é capaz de fazer ver além de nossas ideologias, da opressão que sofremos pelas classes dominantes, da ideologia que nos é importa pela televisão e tantos outros instrumentos de dominação. A poesia, ao contrário, é libertadora de todas essas marras da sociedade, porque a poesia não é automática ao contrário do trabalho alienado de um operário. A poesia é artesanato.

É preciso reconstruir  a palavra, modificar os seus conceitos antigos por conceitos novos, cansamos de compreender o mundo, é hora de transformá-lo. As palavras antigas estão cheias de preconceitos antigos, de opressão-omissão, de louvação das classes superiores. A palavra antiga foi feita para uma classe – aristocrática – antiga, com interesses antigos. Nós somos a favor, como Rimbaud, da nova linguagem, da nova forma, do novo conteúdo – pois conteúdo é forma!

Acreditamos que todas as crianças são gênios, dotados de poder criador, mas a repressão – pelas normas de conduta da sociedade – faz a criança recalcar seu poder criador, transformando-o numa terrível neurose. A leitura de poesia – de poesia revolucionária – é capaz, somente ela, de perverter as crenças dotadas de falso moralismo e transformar a opressão em liberdade.

Vamos viajar na nave da palavra em busca de pensamentos inauditos.

Viva o delírio da palavra! Viva Grupo Rumo! Viva Rimbaud!