O catolicismo desembarcou no Brasil junto com os portugueses, e apesar de nos declararmos um Estado laico, dados nos mostram que até hoje a grande maioria da população segue a religião fielmente. A Igreja Católica conquista novos adeptos anualmente, muito por conta de tradições familiares mas também dos contatos no dia a dia com diversos símbolos e imagens que nos remetem a crença em Deus, especialmente por meio dos artigos religiosos.
O que nos referimos são a elementos da cultura local que, somados a nossa educação cristã e aos valores nos quais acreditamos em relação à família, ao trabalho e ao amor, dão origem a um sincretismo contagiante que permeia todos os setores da nossa sociedade miscigenada. E isso além de ser um fator positivo por nos fazer sentirmos unidos por um bem maior, para muitas pessoas a religiosidade e a arte são uma forma de vida e de sobrevivência.
Artesanato religioso e empreendedorismo
Os artesanatos religiosos produzidos em Juazeiro, no sul do Ceará, por seus mais de 300 artesãos, movimentam mais de 1 milhão de reais por ano e são a principal atração turística do estado depois de suas maravilhosas praias. Essas vendas geram melhorias para a cidade e também para os seus moradores, muitos se tornando independentes de políticas assistencialistas do governo através de suas produções.
O importante é ressaltar que essa economia tem origem na própria história da cidade, que sofreu grande transformação social e política após os ensinamentos de Padre Cícero Romão Batista, famoso Padim Ciço. Após o milagre que ocasionou a beatificação de Maria de Araújo (sua boca sangrava ao receber a comunhão), Juazeiro começou a receber periodicamente diversas peregrinações e visitas de fiéis em busca da benção do Padre e da beata. Enxergou-se aí uma oportunidade de mudar o cenário de miséria que circundava a cidade, através da especialização dos artesãos da região e da conversão desse fluxo de pessoas em efetivas vendas de peças religiosas.
Um outro exemplo semelhante se passa em São José do Ribamar, a 30 km de São Luís do Maranhão. Em 2004, auxiliados pelo projeto de empreendedorismo e artesanato do SEBRAE, 108 artesãos receberam treinamentos de mestres em artesanato e cerâmica, além de cursos de gestão, para conseguirem tornar algo que era praticamente um hobby em uma profissão e uma fonte de renda. Sendo assim, movidos pela fé em São José, padroeiro da cidade, esses maranhenses hoje em dia produzem uma série de peças em cerâmica como santos e outras imagens religiosas, que são catalogadas e divulgadas para o Brasil inteiro, atraindo mais turistas e melhorando as condições de vida dos moradores da cidade.
Artigos religiosos diferenciados
Além do artesanato manufaturado, também encontramos artigos religiosos mais luxuosos e duradouros, inclusive em outras categorias como medalhas, pingentes, escapulários e outras jóias. Eles possuem outro processo de produção e recebem o delicado acabamento em ouro, prata, rubis, esmeradas e outras pedras preciosas, o que lhes conferem um outro estilo e possibilidade de uso.
São muito desejados e movimentam também um considerável capital, mas é importante ressaltar que, muitas vezes, as lojas especializadas direcionam parte dos lucros obitidos de suas vendas para instituições filantrópicas de caridade e de ensino como forma de retribuição à sociedade.
A importância dos artigos religiosos para os brasileiros
Ambos os tipos são dotados de muita beleza, essa que, segundo a Bíblia, representa a própria beleza divina. Portanto, muitos fiéis acreditam que através de seus artigos podem conversar diretamente com Deus através da oração e/ou do ato de carregá-los consigo. Há também as famosas fitinhas do Senhor do Bonfim e de Nossa Senhora Aparecida, assim como medalhinhas de santos mais populares e outros objetos que nos remetem à crença e ao fato de estar sempre em comunhão com Jesus Cristo.
Os artigos religiosos em geral são, na verdade, formas puras de manifestação da fé e da religiosidade, sendo que cada pessoa se identifica mais fortemente com um ou outro e se sente protegida dentro de sua escolha.
Cabe a todos respeitar as diferenças e saber conviver de forma harmônica com todas as religiões, e reconhecer que cada povo tem sua história e sua maneira de manifestá-la através da cultura.
